verde verde verde
verde verde verde
verde verde verde erva
(Ferreira Gullar)
Aproveitando noticias lidas em outros blogs, resolvi colocar essa poesia neoconcreta do poeta maranhense Ferreira Gullar que será homenageado na feira do livro desse ano!
A farofa de ovo do café da manhã!
É necessário estar sempre bêbedo.Tudo se reduz a isso; eis o único
problema.Para não sentirdes o horrível fardo do Tempo,que vos abate e vos faz
pender para a terra,é preciso que vos embriagueis sem cessar.Mas de quê? De
vinho, de poesia ou de virtude, a vossa escolha.Contanto que vos embriagueis.E,
se algumas vezes, nos degraus de um palácio,na verde relva de um fosso, na
desolada solidão do vosso quarto, despertardes, com a embriaguez já atenuada ou
desaparecida,perguntai ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio,a
tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola,a tudo o que canta, a tudo
o que fala,perguntai-lhes que horas são;e o vento, e a vaga, e a estrela, e o
pássaro, e o relógio,hão de vos responder:É hora de se embriagar!Para não serdes
os martirizados escravos do Tempo, embriagai-vos; embriagai-vos sem tréguas! De
vinho, de poesia ou de virtude, a vossa escolha.