Todo ano, em São Luís do Maranhão, a virada de ano, leva milhares de pessoas a comparecem a orla marítima para saudar a grande chegada do ano seguinte. São realizados shows, tanto artísticos quanto pirotécnicos para festejar a virada, entretanto, com tantas comemorações vem a indagação: o que será que temos a comemorar? Quando se olha a praia logo se vê muitas coisas, muitas mesmo, se vê muitas latinhas de cerveja e refrigerante poluindo a praia! Ah, mas não vamos ser chatos e hipócritas em plena virada de ano! Estamos em 2009, quem liga pra 2010? Ainda temos 12 meses pela frente. Com atitudes como essa, percebe-se a ideologia da nossa “juventude” ecologicamente correta, digo juventude entre aspas, por ser jovem na idade, quanto em pensamento reproduzem erros clichês do passado!
Estava eu sentado tentando refletir sobre o espaço de tempo que tinha se passado, quando um dos meus colegas me chama pra ver o que estava acontecendo à beira do mar, tratava-se de uma cena comum, mas um tanto quanto inusitada. Acontece que havia um casal transando na parte rasa do mar, o espetáculo estava armado, espetáculo este que eu tive o prazer crítico (se é que eu possa me chamar assim) de ver! Mas me digam, quem liga se haviam ali mais de 25 pessoas fazendo um grande círculo (a mais de 25 metros da cena) para olhar o espetáculo, até que um dos espectadores chegou mais perto para transformar o cotidiano em filme, utilizando como instrumento de trabalho o seu próprio celular, o primeiro ato da dramaticidade havia acabado, o rapaz (que tinha mais ou menos uns 15 a 17 anos) se levantou, fechou o fechicle da bermuda e saiu como se nada tivesse feito, ou acontecido, logo se instaurou o clima de suspense, afinal de contas, como aquela menina (certamente 15 ou 16 anos) reagiria ao ter de levantar e passar pelos olhos de punição, indignação, outros de inveja (rsrs) dos espectadores, foi quando de repente: ela dobrou os joelhos, deu o sinal de que iria levantar. Todos paralisaram, angustiados com a demora, até que ela levanta uma perna, levanta a outra, coloca força, e cai! Denunciando não estar sobre si mesma, então os olhos de punição se transformaram em olhos de humilhação, a vaia foi instaurada, ela para não perder a GRAÇA, se deitou e fez aquela célebre pose de modelo com as mãos no queixo, logo todos se aproximaram. Você acha que para lhe ajudar? Eu também pensei, mas estava longe disso, dava para se perceber as mulheres pensando: “nossa que menina louca, com uma cara de putinha!”, e os homens? Bem, os homens não estavam pensando, estavam dizendo. A situação por um fio não fica monótona, a menina em seu auge, no momento certo da ação abre a boca, e solta á seguinte pérola: “Gente! eu sou virgem!”. Ali estava o clímax da apresentação, os que queriam ter filmado a cena completa preferiram tirar fotos do rosto da menina (para eternizar o momento), que nem mesmo conseguia manter os olhos completamente abertos, todos foram tomados pela aquela sensação e situação de gozação (em todos os sentidos), mesmo que sentissem pena da menina, não conseguiam não rir da situação, afinal o brasileiro aprendeu desde cedo a rir de si mesmo, não é verdade? Mas vamos voltar ao foco para nossa apresentação, enfim, chega uma senhora, que enraivecida com aquela situação, pegou a menina pelo braço e começou a tentar tirar ela da lama que havia sujado o seu vestido roxo, só que, peraí! Tem algo de errado! Cadê a minha calcinha? A menina se soltou e pulou no mar para “ingenuamente” procurar a calcinha. Vocês devem estar se perguntando, e o menino, bem o menino aquela altura do campeonato já devia estar a procura de outra, ah que é isso não crucifiquem o rapaz, só porque ele supostamente também não usou camisinha? Sabe como é não é? Aquele mar, aquela areia, mas vejamos pelo lado bom! Daqui a nove meses que sabe não vamos ter um filho da nossa “PÁTRIA MÃE GENTIL”, isso é se não for abortado! Mas quem liga? Já são 2009! Viva! Feliz Ano Novo!
Texto de Eliaquim Maia
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